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CNJ · Perspectiva de Gênero · Resolução 492

CNJ: Dois Anos da Resolução 492 — Mais de 8 Mil Decisões com Perspectiva de Gênero no Judiciário

O Conselho Nacional de Justiça divulgou que, desde a vigência da Resolução CNJ nº 492/2023, já foram proferidas mais de 8 mil decisões judiciais referenciadas no protocolo de julgamento com perspectiva de gênero — marcando a progressiva incorporação da diretriz no cotidiano forense.

📅 24 de agosto de 2026 ⚖️ Resolução CNJ nº 492/2023 🏛️ CNJ — agosto 2026
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Decisões judiciais já proferidas com referência expressa ao protocolo de julgamento com perspectiva de gênero, em dois anos de vigência da Resolução CNJ nº 492/2023

O Que É a Resolução CNJ nº 492/2023

Resolução CNJ nº 492/2023

Publicada em 2023, a Resolução CNJ nº 492/2023 obriga todos os órgãos do Poder Judiciário brasileiro a adotar a perspectiva de gênero nos julgamentos e determina capacitação obrigatória de juízes e magistrados em direitos humanos, gênero, raça e etnia. É o principal instrumento normativo do CNJ para combater a desigualdade estrutural no acesso à Justiça.

O Que o Protocolo Exige dos Juízes

A Resolução não apenas recomenda — ela obriga. Os principais deveres impostos ao Poder Judiciário são:

A Linha do Tempo da Resolução

2023
Publicação da Resolução CNJ nº 492/2023

O CNJ edita a resolução com força vinculante para todo o Poder Judiciário brasileiro, integrando o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero ao sistema normativo.

2024
Primeiras decisões referenciadas

Tribunais estaduais e federais começam a citar expressamente o protocolo nas fundamentações de suas decisões, especialmente em casos de violência doméstica, guarda e alimentos.

Ago. 2026
Marco de 8 mil decisões — dois anos de vigência

O CNJ divulga que mais de 8 mil decisões judiciais já foram proferidas com referência explícita ao protocolo de perspectiva de gênero — demonstrando progressiva incorporação da diretriz.

O Que Significa na Prática Para as Mulheres

O número de 8 mil decisões representa uma mudança cultural em curso no Judiciário. Na prática, a resolução tem efeitos concretos:

Impactos verificados nos dois anos de vigência
  • Juízes são obrigados a questionar se estereótipos de gênero influenciam na avaliação de testemunhos de mulheres em casos de violência
  • Decisões em processos de guarda devem considerar a distribuição desigual do trabalho de cuidado entre homens e mulheres
  • Casos de assédio e discriminação no trabalho passam a ser avaliados com lente específica de gênero
  • A capacitação obrigatória reduz gradualmente o impacto de vieses inconscientes nas decisões judiciais
  • O monitoramento pelo CNJ permite identificar tribunais com baixa adesão e adotar medidas corretivas

O Que Ainda Precisa Avançar

A divulgação dos dados de monitoramento pelo CNJ é positiva, mas especialistas apontam que 8 mil decisões em dois anos ainda representa uma fração pequena diante do volume total de processos que envolvem mulheres no Brasil — estimado em dezenas de milhões. A resolução não criou nova normativa nesta semana, mas o monitoramento público dos dados é, em si, um instrumento de accountability do Judiciário.

O desafio seguinte é qualitativo: verificar não apenas se a perspectiva de gênero é mencionada nas decisões, mas se ela efetivamente altera os resultados — ou se se tornou uma referência formal sem impacto real na proteção das mulheres.

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Fontes:
CNJ, agosto 2026 — Monitoramento da Resolução CNJ nº 492/2023: dois anos de vigência, mais de 8 mil decisões com perspectiva de gênero.
Resolução CNJ nº 492, de 17 de março de 2023.
CNJ — Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero (1ª ed., 2021; incorporado à Resolução em 2023).