O que a investigação concluiu
Isabelle Caracristi, estudante de 22 anos, morreu em 13 de setembro de 2026, em Fortaleza. A Polícia Civil do Ceará concluiu que a morte foi voluntária e não encontrou elementos para responsabilizar o namorado, de 34 anos, por induzimento ou auxílio ao suicídio. A investigação reuniu 17 laudos periciais e 29 depoimentos.
No mesmo inquérito, a polícia indiciou o namorado por violência psicológica contra a mulher e por fraude processual. Testemunhas relataram comportamento controlador e tentativas de manter a jovem isolada. O caso ganhou repercussão depois que a mãe de Isabelle pediu publicamente a investigação das circunstâncias da morte.
Indiciar é o ato em que a polícia aponta, ao fim do inquérito, quem considera autor de um crime. Depois disso, cabe ao Ministério Público decidir se apresenta denúncia à Justiça, e só um processo, com direito de defesa, pode levar a uma condenação. Até a decisão definitiva, vale a presunção de inocência (Constituição Federal, art. 5º, inciso LVII). A defesa do namorado não se manifestou nas reportagens consultadas.
O que é violência psicológica
A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), no art. 7º, inciso II, define a violência psicológica como qualquer conduta que cause dano emocional à mulher, diminua sua autoestima ou tente controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões. A definição vale também para o namoro, porque a lei protege a mulher em qualquer relação íntima de afeto, mesmo sem morar junto (art. 5º, inciso III).
Desde 2021, essa conduta é também um crime próprio. A Lei nº 14.188/2021 incluiu no Código Penal o art. 147-B, que pune quem causa dano emocional à mulher por meio de ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização ou limitação do direito de ir e vir, entre outros meios que prejudiquem sua saúde psicológica e sua autodeterminação.
Na prática, não é preciso haver agressão física nem marca no corpo. Mensagens, áudios, testemunhas e relatórios de atendimento psicológico ou médico servem como prova do controle e do sofrimento causado.
Sinais de um relacionamento abusivo
A violência psicológica costuma começar de forma gradual e ser confundida com ciúme ou cuidado. Estes comportamentos merecem atenção:
Controle do celular e das redes sociais
Exigir senhas, ler conversas, decidir com quem ela pode falar ou o que pode publicar.
Isolamento
Afastar a mulher de amigas, da família ou do trabalho, criticar quem a apoia e criar conflitos quando ela sai sem ele.
Humilhação e desvalorização
Críticas constantes à aparência, à inteligência ou às escolhas dela, em público ou em particular.
Ameaças e chantagens
Ameaçar terminar, expor fotos e conversas, tirar os filhos ou se machucar para obrigá-la a obedecer.
Manipulação
Fazer a mulher duvidar da própria memória e percepção, negando fatos ou culpando-a por tudo o que dá errado.
Limitação da liberdade
Controlar horários, roupas, dinheiro e deslocamentos, ou impedir que ela tome decisões sobre a própria vida.
O que fazer
Quem vive essa situação, ou percebe que uma amiga ou parente vive, pode buscar ajuda por estes caminhos:
1. Em risco imediato, ligue 190
A Polícia Militar atende emergências 24 horas.
2. Ligue 180 para orientação
A Central de Atendimento à Mulher funciona 24 horas, é gratuita e também atende pelo WhatsApp (61) 9610-0180 e pelo e-mail central180@mulheres.gov.br. Informa onde fica a rede de apoio mais próxima.
3. Registre a ocorrência e peça medida protetiva
O registro pode ser feito na Delegacia da Mulher, em qualquer delegacia ou pela delegacia on-line do seu estado. Com base na Lei Maria da Penha, é possível pedir medidas protetivas de urgência, como o afastamento do agressor.
4. Guarde as provas
Salve mensagens, áudios, e-mails e publicações. Anote datas, situações e nomes de quem presenciou os fatos.
5. Cuide da saúde emocional
Procure acompanhamento psicológico na Unidade Básica de Saúde ou no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). O CVV atende pelo telefone 188, 24 horas, de graça, para quem precisa conversar.
Você não está sozinha e não tem culpa. Em situação de violência, ligue 180. Se estiver em sofrimento intenso ou pensando em tirar a própria vida, ligue 188 (CVV) ou procure o pronto-atendimento mais próximo.
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Agência Brasil, 07/10/2026; Metrópoles, 27/09/2026; CartaCapital.
Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), arts. 5º e 7º; Código Penal, art. 147-B, incluído pela Lei nº 14.188/2021; Constituição Federal, art. 5º, LVII.
