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Política e Direitos

Projeto que criminaliza a misoginia fica sem votação na Câmara antes do recesso

O PL 896/2023, que trata dos crimes praticados em razão de misoginia, foi aprovado pelo Senado e aguarda votação no Plenário da Câmara dos Deputados. Entenda o que é misoginia, o que o projeto propõe, por que há resistência e o que esse debate significa para as mulheres brasileiras.

📅 19 de julho de 2026 🔄 Atualizado em 18 de outubro de 2026 ✍️ Dra. Priscilla Machado ⏱ 4 min de leitura

O projeto que trata dos crimes praticados em razão de misoginia não foi votado pelo Plenário da Câmara dos Deputados antes do recesso parlamentar de julho. O texto foi aprovado pelo Senado Federal em 24 de março de 2026 e enviado à Câmara em 30 de março. Em 1º de julho, a Câmara aprovou o regime de urgência para o projeto, e a deputada Tabata Amaral foi designada relatora em Plenário.

O que é misoginia e por que ela seria criminalizada?

Misoginia é o ódio, o desprezo ou a discriminação direcionados às mulheres pelo simples fato de serem mulheres. Ela se manifesta de formas diferentes: pode ser o homem que humilha a parceira em público, o chefe que sabota a carreira de funcionárias, o grupo de internet que coordena ataques virtuais contra mulheres, ou, na forma mais extrema, o assassino que mata porque odeia mulheres.

O PL 896/2023, de autoria da senadora Ana Paula Lobato, altera a Lei 7.716/1989, que define os crimes resultantes de preconceito, e o Código Penal, para tratar dos crimes praticados em razão de misoginia. O texto aprovado pelo Senado define misoginia como "a conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres" e inclui a misoginia entre as hipóteses de injúria (art. 2º-A) e de prática, indução ou incitação à discriminação ou ao preconceito (art. 20) previstas nessa lei.

Por que ainda não foi aprovado?

O projeto encontra resistência por duas razões:

Defensores do projeto argumentam que nomear a misoginia explicitamente como crime cumpre uma função simbólica e prática: cria uma categoria legal que facilita a investigação, o processamento e a punição de condutas motivadas por ódio às mulheres — especialmente os ataques a mulheres na internet.

O que acontece agora?

O projeto está pronto para a pauta do Plenário da Câmara, em regime de urgência, mas ainda sem data de votação. Se a Câmara alterar o texto, ele volta ao Senado; se aprovar sem mudanças, segue para a sanção presidencial. Organizações de direitos das mulheres e movimentos sociais continuam pressionando pela votação.

Por que esse debate importa para você?

A misoginia não se limita a palavrões ou grosserias. Ela está presente em muitas formas de violência contra as mulheres, do assédio no transporte público ao feminicídio. Uma lei que a nomeia e a pune contribui para que ela seja reconhecida como uma forma de discriminação e de violência.

Continuaremos acompanhando a tramitação. Siga o Leis Para Mulher para ser informada quando o projeto voltar à pauta.

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Pós-Doutora em Direito

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